Buenos Aires, Viernes, 24 de Septiembre
13 septiembre, 2021 20:59 Imprimir

O Agronegócio brasileiro e a dependência climática: Efeitos e estratégias de mitigação – Dr. Rogério de Oliveira Gonçalves (desde Brasil)

 

Introdução

A história do desenvolvimento do Brasil encontra-se profundamente ligada ao negócio agrícola. A partir de um planejamento de ocupação pelo colonizador português, a partir do Século XVI, e o fim da exploração extrativa do pau Brasil, o negócio da monocultura da cana de açúcar foi seguido pela borracha e depois pelo café. Recentemente, pode-se dizer que a soja ocupa o protagonismo no agronegócio, mas outros produtos como o milho e a agropecuária em toda sua amplitude hoje tornaram o país um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do planeta e um grande celeiro para a humanidade.

Esse salto de desenvolvimento tem como marco inicial a década de 1970, com a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), vinculada ao Ministério da Agricultura. A entrada da Ciência e da Tecnologia no agronegócio permitiu ao homem do campo o domínio de regiões anteriormente compreendidas como inóspitas, ampliando as possibilidades de culturas, solucionando os problemas típicos da agricultura tropical e incluindo a produção nacional como competidora internacional com forte participação em um enorme espectro de produtos agroindustriais.

Deste modo, além dos produtos oriundos da cultura da soja, do milho, das carnes e derivados, do açúcar e do etanol, da madeira e celulose, do café, do chá, do tabaco, do algodão e fibras têxteis, da laranja e demais frutas e derivados, hortaliças, cereais e derivados e a borracha natural compõem parcela fundamental na exportação e no Produto Interno Bruto brasileiro[1]

1. Efeitos das Mudanças do Clima no Agronegócio brasileiro

O negócio agrícola brasileiro é intensivamente dependente das condições climáticas, particularmente do regime de chuvas, utilizando o processo da irrigação ainda em pequena escala.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura -FAO, o Brasil é atualmente o terceiro maior exportador agrícola do mundo, mas as mudanças climáticas são preocupantes para o agronegócio brasileiro, uma vez que a participação no mercado internacional vai depender da sua capacidade produtora[2]

Nesse sentido, na medida em que o fatores climáticos extremos tornam-se cada vez mais comuns, observa-se uma influência muito forte no Agronegócio, particularmente nas Regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste.

Fonte: Mapeamento das Áreas afetadas pela estiagem no Brasil. EMBRAPA[1].

Nas últimas duas décadas, o Brasil sofreu três sérios períodos de estiagem que afetaram duramente o agronegócio. O primeiro ocorreu em 2001, durante a crise do setor elétrico. O próximo ocorreu entre os anos de 2014/15, durante o desabastecimento hídrico na Bacia do Tietê-Paraná e o terceiro acontece em 2021, manifestado pelo atraso da estação chuvosa, com altas temperaturas e incêndios, que vem afetando duramente a região da Bacia do Paraguai-Paraná atingindo o Pantanal, ainda durante a Pandemia, com sérias consequências sociais e econômicas.

O uso de melhores e mais sofisticadas tecnologias, além do conhecimento técnico da agricultura e os melhores insumos, terras, profissionais e demais fatores que otimizam e garantem uma melhor produção, não são suficientes para controlar o clima, uma vez que os fatores climáticos, que definem um tipo de clima de determinado lugar, não podem ser compreendidos isoladamente, mas sim de forma integrada[1].

Apenas para exemplificar os efeitos, somente neste ano, devido à estiagem, o Agronegócio do milho no estado do Paraná já sofreu prejuízos de R$ 12 bilhões, conforme informações do Departamento de Economia Rural, ligado à Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, tendo em vista a frustração de uma colheita de 14,6 toneladas para uma colheita efetiva de pouco mais de 6 milhões de toneladas[2]

Além dos efeitos adversos causados pela estiagem, os efeitos antrópicos ligados à emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) principalmente devido ao desmatamento tem potencial de afetar o agronegócio brasileiro, reduzindo a produtividade e ampliando os efeitos das Mudanças do Clima.

2. Estratégias de mitigação dos efeitos das Mudanças do Clima

Graças às pesquisas da EMBRAPA, o conhecimento científico e tecnológico para a implantação de uma produção ambientalmente sustentável permitiu a elaboração do Decreto no 7.390/2010, que teve por finalidade a organização e o planejamento de ações a serem realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis, selecionadas com o objetivo de responder aos compromissos de redução de emissão de GEE no setor agropecuário assumidos pelo país.

Essa estratégia foi estabelecida pelo Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, que também é denominado de Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono).[3]

Em linhas gerais, o Plano ABC estabelece o aumento do estoque de carbono nos solos, a partir da recuperação de pastos degradados e principalmente a integração lavoura-pecuária-florestas, prática que amplia a produtividade, aumenta sustentabilidade e em números absolutos aumenta a produção sem a necessidade de desmatar florestas. Nesse sentido, os maiores desafios do Agronegócio nos próximos anos serão estimular o crescimento da produtividade e reduzir as emissões de GEE.

A utilização de novas práticas de manejo agrícola tem contribuído para a superação de problemas ocasionados por extremos climáticos, como na defesa contra geadas que incidem sobre o cafeeiro ou a adoção de cultivares mais tolerantes à seca em culturas não irrigadas. O desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas, além de promover a redução na emissão de GEE, promoverá o aumento da produtividade das culturas[4].

 

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Plano ABC. Fonte: Ministério da Agricultura

3. Considerações Finais

As Mudanças do Clima mostram a cada ano sinais visíveis e vem trazendo efeitos sociais e econômicos cada vez mais sérios e quantificáveis. A ciência vem se debruçando sobre suas razões e propondo medidas de mitigação. Em um cenário incerto e que a ação antrópica sempre pode causar consequências futuras, medidas de contenção necessitam ser tomadas o quanto antes.

 

O Agronegócio vem sentindo os efeitos da forte estiagem de 2021 e seus efeitos econômicos ainda não foram totalmente quantificados. Certamente ações federais serão necessárias no sentido de garantir crédito ao produtor para que possa continuar produzindo em um cenário hídrico cada vez mais suscetível à imprevisões climáticas.

Nesse sentido, planos como o de integração lavoura-pecuária-floresta necessitam de apoio da sociedade e do governo, a fim de que não fique apenas no plano das intenções e possa surtir o efeito desejado, mitigando a médio/longo prazo os efeitos da emissão de gases de efeito estufa e permitindo uma agricultura mais sustentável e que alcance maiores e melhores resultados.

Referências

Assad, Eduardo Delgado et al. Coleção de Estudos sobre Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil. p. 7. Disponível em: <https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/933999/1/doc553.pdf>. Acesso em 03 set. 2021.

Braun, Magnum Silveira e Henriques, Marcelo Messias. A Importância do Clima para o Agronegócio Gaúcho. Disponível em: <https://cadernosuninter.com/index.php/intersaberes/article/download/1153/911>. Acesso em 03 set. 2021.

BRASIL. EMBRAPA. Mapeamento das áreas afetadas pela estiagem no Brasil. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/62597909/artigo-mapeamento-das-areas-afetadas-pela-estiagem-no-brasil>. Acesso em 03 set. 2021.

______ MAPA. Plano ABC. Disponível em: << https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/plano-abc/historico>. Acesso em 03 set. 2

Dr. Rogerio de Oliveira Gonçalves[1]

Septiembre 2.021

 

Versión en español

Agronegocios brasileños y dependencia climática: efectos y estrategias de mitigación

Introducción

La historia del desarrollo de Brasil está profundamente ligada al negocio agrícola. Tras un plan de ocupación del colonizador portugués, a partir del siglo XVI, y el fin de la exploración extractiva del pau Brasil, al negocio del monocultivo de la caña de azúcar le siguió el caucho y luego el café. Recientemente, se puede decir que la soja ocupa un papel protagónico en la agroindustria, pero otros productos como el maíz y la agricultura en toda su amplitud hoy han convertido al país en uno de los mayores exportadores de productos agrícolas del planeta y un gran granero para la humanidad.

Este salto en el desarrollo se inició en la década de 1970, con la creación de la Corporación Brasileña de Investigación Agropecuaria (EMBRAPA), vinculada al Ministerio de Agricultura. La entrada de la ciencia y la tecnología en la agroindustria permitió al agricultor dominar regiones previamente entendidas como inhóspitas, ampliando las posibilidades de cultivo, resolviendo los problemas típicos de la agricultura tropical e incluyendo la producción nacional como competidora internacional con fuerte participación en un enorme espectro de agro- productos industriales.

Así, además de los productos del cultivo de soja, maíz, carnes y derivados, azúcar y etanol, madera y celulosa, café, té, tabaco, algodón y fibras textiles, naranja y otras frutas y derivados, hortalizas, cereales y derivados y el caucho natural constituye una parte fundamental de las exportaciones y del Producto Interno Bruto brasileño

1. Efectos del cambio climático en la agroindustria brasileña

El negocio agrícola brasileño depende intensamente de las condiciones climáticas, en particular del régimen de lluvias, utilizando el proceso de riego a pequeña escala.

Según la Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura – FAO, Brasil es actualmente el tercer exportador agrícola más grande del mundo, pero el cambio climático es una preocupación para la agroindustria brasileña, ya que la participación en el mercado internacional dependerá de su capacidad de producción.

En este sentido, a medida que los factores climáticos extremos se vuelven cada vez más comunes, existe una influencia muy fuerte en la agroindustria, particularmente en las regiones Sur, Medio Oeste y Sudeste.

En las últimas dos décadas, Brasil ha sufrido tres graves períodos de sequía que han afectado gravemente a la agroindustria. El primero tuvo lugar en 2001, durante la crisis del sector eléctrico. El siguiente ocurrió entre 2014/15, durante la escasez de agua en la Cuenca Tietê-Paraná, y el tercero ocurre en 2021, manifestado por el retraso de la temporada de lluvias, con altas temperaturas e incendios, que ha venido afectando severamente a la región del Cuenca Paraguay-Paraná llegando al Pantanal, incluso durante la Pandemia, con graves consecuencias sociales y económicas.

El uso de mejores y más sofisticadas tecnologías, además del conocimiento técnico de la agricultura y los mejores insumos, tierra, profesionales y otros factores que optimizan y aseguran una mejor producción, no son suficientes para controlar el clima, ya que los factores climáticos, que definen un tipo de clima en un lugar determinado, no se puede entender de forma aislada, sino de forma integrada.

Solo para ejemplificar los efectos, solo este año, debido a la sequía, el agronegocio de maíz en el estado de Paraná ya sufrió pérdidas de R $ 12 mil millones, según información de la Secretaría de Economía Rural, vinculada a la Secretaría de Estado de Agricultura. y Abastecimiento de Paraná, ante la frustración de una cosecha de 14,6 toneladas a una cosecha efectiva de poco más de 6 millones de toneladas

Además de los efectos adversos causados ​​por la sequía, los efectos antropogénicos vinculados a la emisión de Gases de Efecto Invernadero (GEI) principalmente debido a la deforestación tienen el potencial de afectar la agroindustria brasileña, reduciendo la productividad y aumentando los efectos del Cambio Climático.

2. Estrategias para mitigar los efectos del cambio climático

Gracias a la investigación de EMBRAPA, el conocimiento científico y tecnológico para la implementación de una producción ambientalmente sustentable permitió la elaboración del Decreto N ° 7.390 / 2010, el cual tuvo como objetivo organizar y planificar acciones a realizar para la adopción de tecnologías de producción seleccionadas con el objetivo de respondiendo a los compromisos de reducción de emisiones de GEI en el sector agropecuario asumidos por el país.

Esta estrategia fue establecida por el Plan Sectorial de Mitigación y Adaptación al Cambio Climático para la Consolidación de una Economía Baja en Carbono en la Agricultura, también llamado Plan ABC (Agricultura Baja en Emisiones de Carbono).

En términos generales, el Plan ABC establece un aumento del stock de carbono en los suelos, basado en la recuperación de pastos degradados y especialmente en la integración agropecuaria-forestal, práctica que aumenta la productividad, aumenta la sostenibilidad y, en números absolutos, aumenta producción sin necesidad de talar bosques. En este sentido, los mayores desafíos para la agroindustria en los próximos años serán estimular el crecimiento de la productividad y reducir las emisiones de GEI.

El uso de nuevas prácticas de manejo agrícola ha contribuido a superar los problemas causados ​​por los extremos climáticos, como en la defensa contra las heladas que afectan al cafeto o la adopción de cultivares más tolerantes a la sequía en cultivos de secano. El desarrollo de nuevas tecnologías agrícolas, además de promover una reducción de las emisiones de GEI, promoverá un aumento de la productividad de los cultivos.

3. Consideraciones finales

El cambio climático muestra signos visibles todos los años y viene trayendo efectos sociales y económicos cada vez más graves y cuantificables. La ciencia ha estado estudiando detenidamente sus razones y proponiendo medidas de mitigación. En un escenario incierto y en el que la acción humana siempre puede tener consecuencias futuras, es necesario tomar medidas de contención lo antes posible.

La agroindustria ha estado sintiendo los efectos de la severa sequía en 2021 y sus efectos económicos aún no se han cuantificado por completo. Ciertamente, serán necesarias acciones federales para garantizar crédito al productor para que pueda seguir produciendo en un escenario hídrico cada vez más susceptible a condiciones climáticas impredecibles.

En este sentido, planes como el de integración cultivo-ganadería-bosque necesitan del apoyo de la sociedad y del gobierno, para que no estén solo en el plan de intenciones y puedan tener el efecto deseado, mitigando los efectos de la emisión en el medio / gases de efecto invernadero a largo plazo y permitiendo una agricultura más sostenible que logre mayores y mejores resultados.

Referencias:

Assad, Eduardo Delgado y col. Colección de estudios sobre lineamientos para una economía verde en Brasil. por. 7. Disponible en: <https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/933999/1/doc553.pdf>. Consultado el 03 de septiembre. 2021.

Braun, Magnum Silveira y Henriques, Marcelo Messias. La importancia del clima para la agroindustria gaucha. Disponible en: <https://cadernosuninter.com/index.php/intersaberes/article/download/1153/911>. Consultado el 03 de septiembre. 2021.

BRASIL. EMBRAPA Mapeo de áreas afectadas por la sequía en Brasil. Disponible en: <https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/62597909/artigo-mapeamento-das-areas-afetadas-pela-estiagem-no-brasil>. Consultado el 03 de septiembre. 2021.

MAPA Plan ABC. Disponible en: << https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/plano-abc/historico>. Consultado el 03 de septiembre. dos

 


[1] Advogado inscrito na OAB/DF. Capitão de Mar e Guerra (RM1) da Marinha do Brasil. Research Fellow no Centro de Estudos em Direito do Mar “Vicente Marotta Rangel” (CEDMAR/USP). E-mail: adv.rogeriogoncalves69@gmail.com.


[1] Braun, Magnum Silveira e Henriques, Marcelo Messias. A Importância do Clima para o Agronegócio Gaúcho. Disponível em: <https://cadernosuninter.com/index.php/intersaberes/article/download/1153/911>. Acesso em 03 set. 2021.

[4] Assad, Eduardo Delgado et al. Coleção de Estudos sobre Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil. p. 7. Disponível em: <https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/933999/1/doc553.pdf>. Acesso em 03 set. 2021.


[1] EMBRAPA. Mapeamento das áreas afetadas pela estiagem no Brasil. Disponível em:< https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/62597909/artigo-mapeamento-das-areas-afetadas-pela-estiagem-no-brasil>. Acesso em 03 set. 2021.


[1] LOURENÇO, Joaquim Carlos. Histórico e Evolução do Agronegócio Brasileiro. Disponível em: <https://www.sucessonocampo.com.br/historico-e-evolucao-do-agronegocio-brasileiro-4/>. Acesso em: 03 set. 2021.

[2] ONU. Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – FAO. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/agencia/fao/>. Acesso em 03 set. 2021.

 

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